ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
Lei Nº 8.069, de 13 de Julho de 1990.
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ARTIGOS
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Resumo Jurídico

Alienação Parental: O Que a Lei Diz Sobre o Afastamento de Pais e Filhos

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece em seu artigo 167 um ponto crucial para a proteção dos direitos de crianças e adolescentes: a proibição da alienação parental. Mas o que isso significa na prática?

De forma clara e educativa, podemos entender que alienação parental ocorre quando um dos genitores, ou até mesmo outros familiares próximos, manipula a criança ou o adolescente para que rejeite o outro genitor ou familiar. Essa manipulação pode se manifestar de diversas formas, como:

  • Descredibilizar o outro genitor: Inventar ou exagerar defeitos, mentir sobre comportamentos, fazer parecer que o outro genitor é incapaz ou perigoso.
  • Impedir o contato: Dificultar ou proibir as visitas, as ligações telefônicas, as mensagens, ou criar obstáculos para a convivência.
  • Fazer a criança sentir-se culpada: Insinuar que a criança tem a responsabilidade de escolher um lado ou que, ao gostar do outro genitor, está traindo o manipulador.
  • Criar dependência emocional: Fazer a criança acreditar que só o genitor manipulador a ama de verdade ou que ela precisa dele para tudo.

O artigo 167 do ECA, portanto, reconhece que essa interferência na relação familiar causa danos graves ao desenvolvimento psicológico e emocional da criança ou do adolescente. O objetivo da lei é garantir o direito fundamental da criança e do adolescente à convivência familiar e comunitária, a qual inclui o contato com ambos os genitores, salvo em situações excepcionais de risco.

As consequências da alienação parental são sérias e podem incluir:

  • Dificuldades de relacionamento: A criança pode ter problemas para criar e manter vínculos afetivos saudáveis no futuro.
  • Problemas de autoestima: A constante manipulação pode minar a autoconfiança da criança.
  • Sentimentos de culpa e ansiedade: A criança pode se sentir dividida e sobrecarregada por conflitos que não são seus.
  • Depressão e outros transtornos psicológicos: Em casos mais graves, a alienação parental pode levar ao desenvolvimento de transtornos mentais.

É importante ressaltar que o artigo não impede que um genitor, em casos comprovados de abuso, negligência ou violência, proteja o filho do outro genitor. A lei busca proteger a criança e o adolescente de manipulações que visam afastá-los de um dos genitores sem justificativa plausível.

Em suma, a alienação parental é uma conduta que prejudica o desenvolvimento saudável da criança e do adolescente, violando seu direito à convivência familiar. O artigo 167 do ECA é um marco importante na proteção desses direitos, buscando preservar o vínculo afetivo e familiar de forma sadia e equilibrada.